Entenda como tratar foliculite decalvante
Revisão clínica: Dr. Tarcísio Carvalho, médico dermatologista (CRM 5899/PA · RQE 2929) ·

A foliculite decalvante é uma inflamação crônica dos folículos do couro cabeludo que destrói os fios e deixa áreas de calvície com cicatriz, onde o cabelo não volta a nascer. Ela costuma começar no topo da cabeça, com espinhas vermelhas com pus, crostas, coceira e tufos de vários fios saindo do mesmo poro.
Não tem cura, mas tem tratamento: com acompanhamento do dermatologista, antibióticos e outros medicamentos controlam a inflamação e evitam que as falhas aumentem. Quanto antes vier o diagnóstico, menor tende a ser a área de perda de cabelo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialistas em Tricologia, existem alguns problemas que podem surgir no couro cabeludo muito comuns, e um deles é a foliculite, uma inflamação no folículo piloso (estrutura de onde crescem os fios).
Quando aparece no couro cabeludo, a foliculite pode se manifestar através de uma espécie de “espinha” avermelhada isolada e com pus ou várias simultaneamente.
Quando isoladas, essas lesões são menos preocupantes, pois podem ser apenas uma manifestação do couro cabeludo à oleosidade ou efeito de algum produto.
No entanto, quando estas lesões aparecem em grande número, formando até placas, elas podem ser fruto de doenças do couro cabeludo, como a foliculite decalvante, a foliculite abscedante e o líquen plano pilar, só para citar algumas.
A foliculite decalvante pode destruir completamente o folículo capilar, causar queda de cabelo, algumas vezes irreversível, e até deixar marcas.
Não há cura para essa condição, mas há tratamento. Entenda tudo sobre o assunto e saiba como tratar!
Confira abaixo!
O que é foliculite decalvante?
A foliculite é uma inflamação dos folículos pilosos, que se apresenta na forma de pústulas foliculares ao redor dos folículos.
Ela pode se manifestar em qualquer região do corpo que apresenta pelos ou cabelos, inclusive o couro cabeludo.
É uma condição que pode ser autolimitada (vem e vai naturalmente), necessitar de antibioticoterapia (quando infecciosa), podendo até manchar a pele, deixar cicatrizes ou causar a perda permanente dos fios da região acometida.
No caso da foliculite capilar, ela é chamada de foliculite decalvante quando há perda de cabelo, uma condição inflamatória crônica (a longo prazo), que pode ser apenas inflamatória ou infecciosa.
Ela costuma se manifestar na forma de politriquia (vários fios saindo do mesmo poro), com o aparecimento de pústulas, feridas e crostas semelhantes a escamas na região, causando alopecia (queda de cabelo).
Ela costuma começar na região do vértex (topo) da cabeça e progride de modo centrífugo a partir do vértice e da região occipital.
Durante o processo de cicatrização das lesões, pode evoluir com falhas no couro cabeludo, levando a alopecia cicatricial progressiva, onde não há nascimento de cabelos.
Ela pode afetar outras áreas com pelos, como a barba, axilas, região pubiana e pernas, mas é muito raro.
É o tipo de condição que costuma aparecer mais em adolescentes e adultos jovens, do sexo masculino, principalmente os negros.
Embora não tenha cura, o tratamento deve ser feito para evitar a piora das lesões.
Causas da foliculite decalvante
As causas da doença não estão totalmente definidas. Há associação com infecção bacteriana e, em alguns casos, com fungos ou vírus.
A disfunção pode ser uma resposta imune celular à infecção por bactéria Staphylococcus aureus, Pseudomonas, Malassezia, Candida, fungos do gênero Trichophyton e Microsporum e herpesvírus.
No caso das foliculites inflamatórias elas se caracterizam por um curso crônico e risco de progressão para alopecia cicatricial, sendo a contaminação bacteriana secundária e a causa incerta, podendo ser por conta de alterações imunológicas.
Outros tipos de foliculite do couro cabeludo
Além da foliculite decalvante, outros tipos de foliculite podem acometer o couro cabeludo, como a foliculite dissecante e a foliculite queloidiana da nuca.
Veja abaixo:
Foliculite dissecante ou abscedentante
Foliculite dissecante ou perifolliculitis capitis abscedens et suffodiens, é outra forma de foliculite crônica, porém bastante rara e recidivante, mais comum em homens de 20 a 40 anos.
Ela apresenta lesões que aparecem no vértice e na nuca, formando pústulas, nódulos, e abscessos purulentos, com maior acúmulo de pus, deixando a área “mole ao toque” (devido à quantidade de pus acumulada) e provocando a queda de cabelo no local (alopecia cicatricial).
Faz parte da tétrade da oclusão folicular, e pode coexistir com hidradenite supurativa, acne conglobata e/ou cisto pilonidal. A isotretinoína é o tratamento de escolha, além de outras opções incluindo antibióticos sistêmicos e corticoides.
Com o tratamento precoce, é possível controlar a inflamação e reduzir a perda de cabelo na área acometida.
Foliculite queloidiana da nuca
Esse tipo, foliculite queloidiana da nuca, não é bem no couro cabeludo, mas na nuca e acomete principalmente homens jovens afrodescendentes.
A condição costuma se apresentar também na forma de pústulas que se agrupam na região occipital, e que podem evoluir para placas, abscessos, politriquia, cicatrizes hipertróficas e alopecia cicatricial.
As causas são incertas, mas recomenda-se evitar raspar ou cortar os fios muito rente à pele, além de evitar o uso de bonés ou colarinhos de camisa que provocam fricção e atrito na região.
O tratamento pode ser feito com produtos antissépticos associados a antibióticos e corticoides tópicos em períodos cíclicos, nos casos mais leves.
Já quando as lesões são mais extensas, com a formação de nódulos ou cicatrizes, recomenda-se o uso de corticoide intralesional, antibióticos orais ou até intervenção cirúrgica.
Principais sintomas da foliculite decalvante
Como todos os tipos de foliculite, a foliculite decalvante pode ser superficial ou profunda, afetando apenas a parte superior do folículo piloso ou destruindo completamente, causando a queda de cabelo.
Os principais sintomas de uma foliculite superficial são:
- surgimento de pequenas espinhas vermelhas, com ou sem pus;
- pele da região avermelhada e inflamada;
- coceira intensa;
- sensibilidade na região e dor;
- secreção e descamação no couro cabeludo;
- perda definitiva ou temporária dos cabelos da região.
Já quando a inflamação atinge áreas mais profundas, pode levar a lesões mais elevadas com pus amarelado; formar furúnculos purulentos, cicatrizes, destruição do folículo piloso e áreas calvas.
Fatores de risco
Qualquer pessoa pode desenvolver foliculite, mas alguns grupos são mais suscetíveis à condição, como por exemplo:
- Doenças que diminuem a imunidade, como diabetes, leucemia crônica e AIDS;
- Sofrer de acne ou dermatite;
- Uso constante e prolongado de medicamentos, como cremes de corticoide ou terapia antibiótica;
- Obesidade.
Foliculite decalvante pode causar queda de cabelo/calvície?
Como já mencionado, a foliculite decalvante pode evoluir de forma mais profunda e provocar a queda de cabelo ou resultar em áreas sem fios de forma cicatricial (áreas lisas e sem repilação).
Isso porque as feridas no couro cabeludo provocam uma intensa coceira, com secreção e descamação na região do couro cabeludo, que acabam culminando na queda do cabelo por prejudicar o folículo.
Por isso, é fundamental procurar um dermatologista nos primeiros sinais de foliculite no couro cabeludo, para que ele possa fazer o diagnóstico adequado e indicar o melhor tratamento, a fim de evitar a evolução da condição.
Quanto antes o tratamento começa, menor tende a ser a área de queda de cabelo. Nas áreas onde já se formou cicatriz, o cabelo não volta a nascer.
Foliculite decalvante tem cura?
Apesar de a foliculite decalvante não ter cura, ela pode ser controlada com acompanhamento médico.
O seu tratamento também pode não ser tão fácil e rápido, comparado ao de foliculites superficiais, mas há várias opções possíveis, como as citadas abaixo.
Tratamento para foliculite decalvante
Se você costuma ter foliculite decalvante, não precisa ficar desesperado. Embora a condição seja incômoda, é possível tratar e amenizar os sintomas com algumas opções de medicamentos e cuidados.
A verdade é que tratar esse tipo de foliculite é um grande desafio, por conta das inúmeras recidivas e controle da doença por longos períodos.
No entanto, existem muitas opções terapêuticas com o uso de antibióticos orais sistêmicos e tópicos, corticosteroides tópicos, sistêmicos e intralesionais, isotretinoína e dapsona.
No caso dos antibióticos orais, o tratamento é feito por períodos prolongados, já que o efeito anti-inflamatório de antimicrobianos diminui o risco de recidivas.
Mas também existem outras opções através de isotretinoína oral, suplementação de zinco, dapsona e laser.
Estágios mais avançados e quadros mais profundos podem exigir procedimentos cirúrgicos para drenagem das lesões e retiradas dos nódulos.
O mais importante é manter o acompanhamento médico seguindo todas as recomendações à risca e pelos períodos determinados.
Existe shampoo para foliculite decalvante?
Há vários shampoos no mercado que prometem uma limpeza profunda ou um “detox” do couro cabeludo, controle de oleosidade e queda de cabelo.
No entanto, muitos desses produtos não são específicos para o tratamento da foliculite decalvante.
Embora não seja um shampoo, a loção americana Tend Skin pode ser usada no couro cabeludo como cuidado complementar, sempre junto com o tratamento indicado pelo dermatologista.
Por não ser enxaguada, a loção permanece na pele depois da aplicação.
Na foliculite decalvante, porém, ela não substitui os medicamentos receitados pelo médico.
A marca atua há mais de 30 anos no cuidado da pele contra a foliculite e os pelos encravados.
A loção pode ser aplicada em todas as áreas do corpo afetadas pela foliculite, incluindo o couro cabeludo.
Portanto, na foliculite decalvante, o principal é o acompanhamento com o dermatologista; a loção Tend Skin pode entrar como cuidado complementar, se o médico concordar.





